O que deve nos animar, é projetar o Futuro.

"Contra a ideia da força, a força das ideias"

(Florestan Fernandes)

É quando atuamos de forma crítica ante aos comportamentos e ao pragmatismo das estruturas mercantilizadas, reacionárias que sequestram até mesmo as relações humanas, coisificando pessoas e comportamentos - que nos damos conta do tamanho do problema a ser enfrentado, é ao denunciar as macro estruturas políticas e econômicas - ou mesmo quando estamos atuando em nossas comunidades de forma mais restritiva e particular, que trazemos nossas práticas pensamentos e ideias que foram idealizadas ao longo de nossas vidas, é aí que confrontamos nossas crenças com a dura realidade social. Nesse sentido há duas perspectivas a serem analisadas por nós que estão intrinsicamente ligada ao que gera em nós sensações que nos retiram da inércia, o afeto e o desejo. Afeto e desejo são emoções que se relacionam diretamente com nosso entorno, de dentro para fora e de fora para dentro. Olhar para os indivíduos e suas perspectivas e ignorar a força que o afeto e o desejo tem na forma como as pessoas se relacionam com o meio em que vivem e o transformam, é ignorar tanto suas ligações sócio-afetivas como as estruturas que garantem a eles suas identidades e capacidades de interferir naquele espaço, bem como do espaço interferir em suas formas de pensar. Ignorar isso é ignorar o que para mim, parece obvio, porém, mesmo o obvio, precisa ser dito e reforçado. 

O individuo que vive, vive em um (lugar-espaço) com elementos ao qual Ele se identifica e possui afeição e portanto identificação e é aí, talvez, que resida a maior parte do descontentamento das pessoas ao meio, pois é justamente aí, em alguma medida, que reside parte importante de suas perspectivas frustrações e desejos de mudanças. É nessa perspectiva é pensando nos anseios que existem nas relações interpessoais, que emerge a necessidade de relacionarmos aquilo que é desejo pessoal a aquilo que deve ser um desejo comum, coletivo e que resida no seio das comunidades como um garantidor de bem-estar e sobretudo da sobrevivência. É interessante observarmos, experiências realizadoras e de sucesso em comunidades, tanto rurais como urbanas, experiências que estão quase sempre relacionadas as necessidades reais de sobrevivência e da necessidade de exprimir nossos "sentidos culturais", como podemos ver realizados nas escolas de Samba, escolas comunitárias, cursinhos pré-vestibulares, quadras poliesportivas, hortas comunitárias, times de várzea, cozinhas comunitárias, associações de bairros, etc. Esses equipamentos de interesse social promovem os processos de conquistas que são absolutamente vencedoras e trazem a comunidade além de um fortalecimento do vinculo afetivo, uma sensação de bem-estar que se traduz no sentimento de felicidade e pertencimento. Nesse sentido temos a necessidade de estimular o COMUM, de desvincula-lo das relações de mercado e vincula-lo as relações de cultura, bem-estar e da luta politica. Assim, resgatar os conselhos participativos, os orçamentos representativos e democráticos é fundamental para vencer tanto no chão das comunidades quanto no imaginário das pessoas a lógica fragmentada das relações econômicas e a ideia da mercantilização das relações. Mais que nunca, é necessário abrir espaço para criarmos com as pessoas e a partir delas, os mecanismos necessários para vincular um outro modo de distribuir tanto aquilo que se refere as necessidades como aquilo que as una entorno da vivência e nos leve a transformar o meio em um espaço comum, de pertencimento. 

Olhar para a politica como algo que não identifica as pessoas no cerne das organizações  comuns, ou seja, como a antítese a tudo que foi dito até aqui, é ter em mente, a ideia de que as pessoas são meros coadjuvantes nas relações interpessoais e políticas, isso em suas próprias comunidades. É nega-las o direito e dever de participação na politica e impor a ideia de clientelismo, contrário a suas relações afetivas do protagonismo comunitário.

Por fim, digo que é preciso desvincular o clientelismo, o vinculo "doente" do politico eletivo que centraliza em si, as estruturas de decisão, que voga a si o poder de pensar o futuro. Assim, mais que nunca é preciso refutar as estrutura que mercantilizam toda forma de poder e organização politica. trazer para dentro das relações interpessoais, estruturas que nos ligue aos espaços de convivência dos quais temos relação de afeto - escola, praças, teatros avenidas, ruas, comércios, feiras, bibliotecas, casas, etc. Planejar o futuro deve ser um ato de obstinado em colocar os espaços a servir como elo de transformação e convivência  "comum" que nos aproxime e nos faça atender a ideia de bem comum é o bem de todos e é aí que a politica brota com força e é aí que ela deve começar.

Projetar o futuro, é nos ver inseridos nos cotidianos transformadores, que garantam no chão comum, o direito a vida.

Welington Cavalheiro


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