A importância de pensarmos sobre o ECOSSOCIALISMO
No primeiro livro da pentateuco (Gêneses), o dilúvio foi um castigo que Deus mandou aos homens porque estavam desobedecendo às suas leis. Ali Deus havia ordenado a Noé que criasse uma arca e que abrigasse os animais que deveriam sobreviver ao dilúvio, que durou quarenta dias e quarenta noites. Uma pomba foi enviada por Noé em busca de algum vestígio de terra seca (...).
Como reagimos diante dos desastres da vida e da sociedade diz muito sobre nós e nossas capacidades de resiliência. Sobreviver sempre foi um imperativo às leis da vida, sobretudo em tempos modernos. Ter em mente que hoje não há espaços no mundo que não estejam submetidos as ordem e desmandos do Capitalismo deve ser premissa básica para qualquer entendimento e discussão. Hoje mais que em toda história da humanidade estamos absolutamente presos ao modo como decidimos viver, assim, como na parábola do diluvio, temos desobedecido uma infinidades de Leis da Natureza que colocam nosso modo de sobrevivência em absoluto risco. Sobreviver passou a ser um imperativo, verbo, que não se conjuga mais só, a sobrevivência que sempre fora em conjunto, seja por animais que partilham a mesma caça ou por plantas que nutrem-se do mesmo solo se retroalimentando e constituindo um ecossistema. Sempre, sempre a sobrevivência foi um ato plural, dinâmico e coletivo.
Há um diluvio em curso, um castigo que já abate parte importante da sociedade, castigo esse imposto pela ganancia, pela ignorância e por poder. Entender que as estruturas do Capitalismo é que retroalimentam essa tempestade é parte do entendimento de como estamos atingindo nosso Planeta e como ele tem reagido a tudo isso.
Como identificamos e reagimos aos modelos destruidores não só da Natureza mas também aos significados do viver em sociedade é primordial para produzir qualquer reflexão que levem a todos nós e as gerações futuras a garantir a sobrevivência. É a pensamento, a reflexão, a dialética, a ação que nos dará o entendimento de que é preciso evitar o dilúvio, que se todos nós tentarmos construir a própria arca sofreremos o castigo impiedoso.
Como reagimos diante da catástrofe climática criada no último século deve ser entendido a partir daquilo que negamos desde muito tempo, o imperativo do crescimento da expansão, do acumulo de riquezas, da ocupação descontrolada dos espaços naturais, do lucro, da rentabilidade, dos grupos oligárquicos que ostentam um modo de vida que jamais será atingido por todos no planeta. O capitalismo e suas entranhas. Entender que as consequências ambientais estão intrinsicamente ligadas as nossas escolhas politicas bem como ao nosso modo de vida, nas mais sutis escolhas e desejos é fundamental na compressão dos problemas que nos assolam. ignora-los é a morte.
O modus operandi das oligarquias e corporações capitalistas, parece basear-se no principio proclamado pelo Rei da França Luís XV: "Depois de mim, o dilúvio".
(WFC)
17 de Dezembro de 2021.
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